terça-feira, 23 de janeiro de 2007

Passo de Anjo Spok Frevo Orquestra



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A orquestra de Spok tem história recente. Nasceu nos ensaios do bloco Na Pancada do Ganzá, de Antônio Nóbrega, em 1997: “Chegamos a ensaiar com Chico Science e Nóbrega”, conta Spok, que quando não está com a orquestra, toca com cantores da MPB, como Fagner ou Alceu Valença. Apesar de ter trabalhado com diversos músicos, somente este ano gravaram o primeiro CD, intitulado Passo de Anjo (que sai com selo da Via Som).

Passo de Anjo é um disco que deve fazer os muito puristas dar cambalhotas em seus respectivos túmulos. Spok ousa quebrar neste trabalho quase todos os axiomas que se consideravam imutáveis no frevo. A morfologia, esta permanece a básica: continuam a introdução, a passagem para a segunda parte, que é repetida antes da volta à introdução. A vestimenta é que mudou de coloração. Cada instrumento pode ser solista e improvisar dentro do tema. Os instrumentos responsáveis pelas variações tanto podem ser o sax do próprio Spok, quanto o violino de Antônio Nóbrega, ou a sanfona de Adelson Viana.

fonte: JOSÉ TELES, JC on line

100 Anos de Frevo




Dança instrumental, marcha em tempo binário e andamento rapidíssimo. Assim o ensaísta Mário de Andrade sumariza o frevo em seu Dicionário Musical Brasileiro (Editora Itatiaia, reedição, 1989). Derivado da polca marcial, inicialmente chamado "marcha nortista" ou "marcha pernambucana", o frevo dos primórdios trazia capoeiristas à frente do cortejo. Das gingas e rasteiras que eles usavam para abrir caminho teria nascido o passo, que também lembra as czardas russas. Até as sombrinhas coloridas seriam uma estilização das utilizadas inicialmente como armas de defesa dos passistas. De instrumental, o gênero ganhou letra no frevo canção e saiu do âmbito pernambucano para tomar o país. Basta dizer que O Teu Cabelo Não Nega, de 1932, considerada a composição que fixou o estilo da marchinha carnavalesca carioca, é na verdade uma adaptação do compositor Lamartine Babo do frevo Mulata, dos pernambucanos Irmãos Valença. A primeira gravação com o nome do gênero foi o Frevo Pernambucano (Luperce Miranda/ Oswaldo Santiago) lançada por Francisco Alves no final de 1930. Um ano depois, Vamo se Acabá, de Nelson Ferreira pela Orquestra Guanabara recebia a classificação de frevo. Dois anos antes, ainda com o codinome de "marcha nortista", saía do forno o pioneiro Não Puxa Maroca (Nelson Ferreira) pela orquestra Victor Brasileira comandada por Pixinguinha.

Em 1950, inspirados na energia do frevo pernambucano, a bordo de uma pequena fobica, dedilhando um cepo de madeira eletrificado, os músicos Dodô & Osmar fincavam as bases do trio elétrico baiano que se tornaria conhecido em todo o país a partir de 1979, quando Caetano Veloso documentou o fenômeno em seu Atrás do Trio Elétrico.

Invasão no carnaval
Em 1957, o frevo Evocação No. 1, de Nelson Ferreira, gravado pelo Bloco Batutas de São José (o chamado frevo de bloco) invadiria o carnaval carioca derrotando a marchinha e o samba. O lançamento era da gravadora local, Mocambo, que se destacaria no registro de inúmeros frevos e em especial a obra de seus dois maiores compositores, Nelson (Heráclito Alves) Ferreira (1902-1976) e Capiba (Lourenço da Fonseca Barbosa, 1904-1997).
O pernambucano Carlos Fernando, autor do explosivo Banho de Cheiro, sucesso da paraibana Elba Ramalho, organizou uma série de discos intitulada Asas da América a partir do começo dos 80. Botou uma seleção de estrelas para frevar: de Chico Buarque, Alcione, Lulu Santos e Gilberto Gil a Jackson do Pandeiro, Elba e Zé Ramalho, Geraldo Azevedo, Fagner e Alceu Valença. Entre os citados, Alceu, Zé e Geraldo mais o Quinteto Violado, Lenine, o armorial Antonio Nóbrega e autores como J. Michiles, mantêm no ponto de fervura o frevo pernambucano. Mesmo competindo com os decibéis – e o poder de sedução – do congênere baiano.

fonte : A acelerada marcha pernambucana que pôs o Brasil para pular
Tárik de Souza